Eggnog, biscoitos, calendários de Advento e um elfo que muda de lugar durante a madrugada. Muitas das pequenas tradições que vemos nos filmes fazem parte do mês de dezembro de famílias americanas.
Filmes de Natal americanos estão cheios de pequenos rituais que para nós podem parecer apenas decoração de roteiro. Mas vários deles existem de verdade.
Dezembro pode envolver assar cookies, montar casas de gengibre, trocar doces com os vizinhos, contar os dias para o Natal e acordar procurando onde um pequeno elfo apareceu naquela manhã. São costumes de origens e épocas completamente diferentes que acabaram reunidos no Natal moderno dos Estados Unidos.
Um mês que também se comemora comendo
Os Christmas cookies estão entre as tradições mais presentes. Famílias assam biscoitos em formatos natalinos, decoram com glacê e muitas vezes transformam a preparação em atividade com as crianças. Há ainda as chamadas cookie swaps: cada participante prepara um tipo diferente e todos fazem uma troca. Registros dessas festas nos Estados Unidos aparecem desde o fim do século XIX.
Na noite de 24 de dezembro entra outra tradição clássica: deixar cookies e um copo de leite para o Papai Noel. O costume ganhou força nos Estados Unidos durante a Grande Depressão, na década de 1930, e algumas famílias acrescentam cenouras para as renas.
Também aparecem bastante gingerbread, especialmente biscoitos e casas de gengibre, candy canes, tortas e diferentes receitas familiares. Já o fruitcake, apesar de tradicional, acabou ganhando entre os americanos uma fama tão controversa que virou até motivo de piada.
E há o famoso eggnog. A bebida cremosa feita à base de leite, ovos, açúcar e especiarias chegou à América a partir de uma tradição britânica e se tornou fortemente ligada ao período natalino nos Estados Unidos. Historicamente existiram versões alcoólicas, mas também há versões sem álcool consumidas durante as festas.
Todo dia acontece alguma coisa
O calendário de Advento transforma a espera pelo dia 25 em parte da comemoração. São calendários com 24 pequenas divisões, normalmente abertas uma por dia a partir de 1º de dezembro.
O que existe atrás de cada portinha mudou muito. Pode ser chocolate, brinquedo, mensagem, atividade para fazer em família ou praticamente qualquer surpresa. A ideia original está ligada à tradição cristã do Advento, mas hoje também existe como costume completamente secular.
Muito mais recente é o The Elf on the Shelf.
A tradição surgiu com um livro infantil publicado em 2005 e rapidamente entrou na cultura natalina americana. A história diz que um pequeno elfo observa as crianças durante o dia e à noite retorna ao Polo Norte para contar ao Papai Noel como elas estão se comportando. Quando volta, aparece em um lugar diferente da casa.
Foi aí que os pais ficaram criativos.
O elfo pode aparecer dentro de um pote, pendurado na árvore, cercado de brinquedos ou no meio de alguma pequena “travessura”. Para as crianças, a diversão é acordar todas as manhãs durante dezembro e procurar onde ele está. A própria tradição oficial explica que o personagem muda de posição durante a noite até sua despedida na véspera de Natal.
Pequenos rituais que fazem dezembro durar mais
Há outras práticas que completam esse período: vestir ugly Christmas sweaters, preparar chocolate quente, fazer casas de gengibre, assistir aos mesmos filmes todos os anos, dirigir por bairros conhecidos pelas luzes e participar de brincadeiras de Secret Santa, equivalente ao nosso amigo secreto.
Nenhuma família americana necessariamente faz tudo isso. Os Estados Unidos são grandes demais e culturalmente diversos para existir um único modelo de Natal.
O interessante é perceber como essas tradições ajudam a explicar aquela sensação que os filmes conseguem transmitir tão bem. O Natal não acontece apenas nos dias 24 e 25.
Para muitas famílias, ele é feito de dezenas de pequenos rituais espalhados por dezembro.
Talvez seja justamente por isso que vemos tantos deles repetidos no cinema.
